O que o Kantar BrandZ Brasil 2024 ainda tem a ensinar antes do ranking de 2026

Site Aprendizados do Kantar BrandZ 2024
Rafael Farias Teixeira
Rafael Farias Teixeira

Marketing Executive

Artigo

Os achados da última edição continuam oferecendo pistas valiosas sobre o futuro do crescimento das marcas brasileiras

Neste ano, a Kantar lança a nova edição do Kantar BrandZ Brasil 2026, anunciando também as 50 Marcas Brasileiras Mais Valiosas. Há mais de duas décadas, o Kantar BrandZ combina inteligência de marca e análise financeira para compreender não apenas quais marcas crescem, mas por que crescem.

 

O ponto de partida do Kantar BrandZ e premissa que o move é de que marcas fortes geram valor econômico real. A metodologia busca isolar quanto do valor de uma empresa pode ser atribuído diretamente à sua marca, descontando outros fatores de desempenho do negócio.

 

No caso do Brasil, nosso relatório é publicado a cada dois anos, com o mais recente sendo divulgado em 2024. E apesar de esperarmos muitas mudanças nesse período entre um ranking e outro, há lições que devemos lembrar da última edição.

 

Baixe aqui o relatório de 2024 e prepare-se para o Kantar BrandZ 2026.

 

5 lições das Marcas Brasileiras Mais Valiosas de 2024

1. Em tempos de incerteza, marcas fortes se tornam ativos ainda mais valiosos

A edição de 2024 mostrou que as 50 marcas mais valiosas do Brasil alcançaram US$ 82,8 bilhões em valor combinado, crescendo 4% em comparação ao ranking anterior. O dado ganha relevância quando comparado ao contexto global: enquanto muitas economias enfrentavam desaceleração e pressões inflacionárias, o ecossistema brasileiro de marcas continuou gerando valor.

 

Mais do que um indicador financeiro, isso reforça uma tese central do BrandZ de que em momentos de instabilidade, marcas fortes ajudam empresas a preservar demanda, reduzir sensibilidade a preço e sustentar crescimento. O valor da marca deixa de ser apenas um indicador de marketing e passa a atuar como um mecanismo de proteção dos negócios.

 

2. A capacidade de gerar demanda importa mais do que o desconto

O relatório destaca a evolução do Demand Power, que mede a predisposição dos consumidores em escolher uma marca. As marcas mais valiosas apresentaram crescimento nesse indicador, enquanto as menos valiosas registraram queda.

 

Em um ambiente no qual consumidores têm acesso a mais opções do que nunca, crescer não significa apenas conquistar distribuição ou oferecer promoções. Significa construir preferência antes mesmo do momento da compra. Para muitas marcas, a principal batalha deixou de ser por visibilidade e passou a ser por consideração.

 

3. O digital se consolida como um ambiente forte para consumo

O relatório destaca que mais de 523 mil lares brasileiros realizaram sua primeira compra online no primeiro semestre de 2023 e que o e-commerce já respondia por 11% das vendas do varejo nacional.  Esses números mostram que a transformação digital não é mais um tema de inovação já remodelou permanentemente a jornada de compra.

 

O desafio para as marcas não é mais estar presente no digital, mas criar experiências relevantes e consistentes em um ambiente onde a concorrência está a apenas um clique de distância.

 

4. A força de novas entrantes e novos setores

A entrada de nove marcas pela primeira vez no ranking, sugere um mercado mais aberto à experimentação e menos dependente de legados históricos. A chegada delas mostrou o ritmo da mudança em andamento no cenário de consumo e negócios no Brasil.

 

As categorias em que essas marcas recém-chegadas operam, como serviços financeiros e plataformas tecnológicas, estão entre as mais voláteis, com a tecnologia transformando o que é possível e novas marcas e ofertas surgindo para atender às mudanças nas necessidades dos consumidores.

 

As marcas de serviços financeiros (11 ao todo) e de bebidas alcoólicas (oito) foram responsáveis pela maior parte do valor em 2024. Ainda assim, o ranking registrou marcas de um total de 13 categorias, abrangendo toda a vida cotidiana no Brasil, desde alimentação, compras e entretenimento até cuidados pessoais, viagens e comunicações.

 

A oportunidade para construir marcas fortes existe tanto em mercados tradicionalmente consolidados quanto em categorias emergentes. A diferença está menos na categoria e mais na capacidade de gerar significado, relevância e inovação.

5. Sustentabilidade está migrando da reputação para o desempenho

Um dos achados mais relevantes do BrandZ 2024 foi a relação entre crescimento de valor de marca e melhoria nos indicadores de sustentabilidade percebida. Entre as marcas que cresceram em valor, 63% também avançaram nessa dimensão. O dado sugere que consumidores estão cada vez mais associando valor empresarial a responsabilidade ambiental e social.

 

Isso não significa que sustentabilidade substitui atributos tradicionais como inovação ou qualidade, mas que está se tornando parte importante da equação que determina preferência.

 

O ranking de 2024 mostrou que crescer como marca exige mais do que acompanhar mudanças, absorvendo todos os sinais que os consumidores demonstram diariamente. Exige transformar esses sinais em decisões e estratégias capazes de gerar valor de longo prazo. Agora resta aguardar o que as Marcas Brasileiras Mais Valiosas 2026 irão trazer de novos insights.

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