Neste ano, a Kantar lança a nova edição do Kantar BrandZ Brasil 2026, anunciando também as 50 Marcas Brasileiras Mais Valiosas. Há mais de duas décadas, o Kantar BrandZ combina inteligência de marca e análise financeira para compreender não apenas quais marcas crescem, mas por que crescem.
O ponto de partida do Kantar BrandZ e premissa que o move é de que marcas fortes geram valor econômico real. A metodologia busca isolar quanto do valor de uma empresa pode ser atribuído diretamente à sua marca, descontando outros fatores de desempenho do negócio.
No caso do Brasil, nosso relatório é publicado a cada dois anos, com o mais recente sendo divulgado em 2024. E apesar de esperarmos muitas mudanças nesse período entre um ranking e outro, há lições que devemos lembrar da última edição.
Baixe aqui o relatório de 2024 e prepare-se para o Kantar BrandZ 2026.
5 lições das Marcas Brasileiras Mais Valiosas de 2024
1. Em tempos de incerteza, marcas fortes se tornam ativos ainda mais valiosos
A edição de 2024 mostrou que as 50 marcas mais valiosas do Brasil alcançaram US$ 82,8 bilhões em valor combinado, crescendo 4% em comparação ao ranking anterior. O dado ganha relevância quando comparado ao contexto global: enquanto muitas economias enfrentavam desaceleração e pressões inflacionárias, o ecossistema brasileiro de marcas continuou gerando valor.
Mais do que um indicador financeiro, isso reforça uma tese central do BrandZ de que em momentos de instabilidade, marcas fortes ajudam empresas a preservar demanda, reduzir sensibilidade a preço e sustentar crescimento. O valor da marca deixa de ser apenas um indicador de marketing e passa a atuar como um mecanismo de proteção dos negócios.
2. A capacidade de gerar demanda importa mais do que o desconto
O relatório destaca a evolução do Demand Power, que mede a predisposição dos consumidores em escolher uma marca. As marcas mais valiosas apresentaram crescimento nesse indicador, enquanto as menos valiosas registraram queda.
Em um ambiente no qual consumidores têm acesso a mais opções do que nunca, crescer não significa apenas conquistar distribuição ou oferecer promoções. Significa construir preferência antes mesmo do momento da compra. Para muitas marcas, a principal batalha deixou de ser por visibilidade e passou a ser por consideração.
3. O digital se consolida como um ambiente forte para consumo
O relatório destaca que mais de 523 mil lares brasileiros realizaram sua primeira compra online no primeiro semestre de 2023 e que o e-commerce já respondia por 11% das vendas do varejo nacional. Esses números mostram que a transformação digital não é mais um tema de inovação já remodelou permanentemente a jornada de compra.
O desafio para as marcas não é mais estar presente no digital, mas criar experiências relevantes e consistentes em um ambiente onde a concorrência está a apenas um clique de distância.
4. A força de novas entrantes e novos setores
A entrada de nove marcas pela primeira vez no ranking, sugere um mercado mais aberto à experimentação e menos dependente de legados históricos. A chegada delas mostrou o ritmo da mudança em andamento no cenário de consumo e negócios no Brasil.
As categorias em que essas marcas recém-chegadas operam, como serviços financeiros e plataformas tecnológicas, estão entre as mais voláteis, com a tecnologia transformando o que é possível e novas marcas e ofertas surgindo para atender às mudanças nas necessidades dos consumidores.
As marcas de serviços financeiros (11 ao todo) e de bebidas alcoólicas (oito) foram responsáveis pela maior parte do valor em 2024. Ainda assim, o ranking registrou marcas de um total de 13 categorias, abrangendo toda a vida cotidiana no Brasil, desde alimentação, compras e entretenimento até cuidados pessoais, viagens e comunicações.
A oportunidade para construir marcas fortes existe tanto em mercados tradicionalmente consolidados quanto em categorias emergentes. A diferença está menos na categoria e mais na capacidade de gerar significado, relevância e inovação.
5. Sustentabilidade está migrando da reputação para o desempenho
Um dos achados mais relevantes do BrandZ 2024 foi a relação entre crescimento de valor de marca e melhoria nos indicadores de sustentabilidade percebida. Entre as marcas que cresceram em valor, 63% também avançaram nessa dimensão. O dado sugere que consumidores estão cada vez mais associando valor empresarial a responsabilidade ambiental e social.
Isso não significa que sustentabilidade substitui atributos tradicionais como inovação ou qualidade, mas que está se tornando parte importante da equação que determina preferência.
O ranking de 2024 mostrou que crescer como marca exige mais do que acompanhar mudanças, absorvendo todos os sinais que os consumidores demonstram diariamente. Exige transformar esses sinais em decisões e estratégias capazes de gerar valor de longo prazo. Agora resta aguardar o que as Marcas Brasileiras Mais Valiosas 2026 irão trazer de novos insights.